Em comunidades pacificadas, policiais militares organizam escolinhas, ensinam música e dão aulas de reforço, para acabar com a atração do tráfico sobre crianças e adolescentes
No mesmo lugar onde tantos já perderam a vida ao cruzar o caminho do tráfico, hoje crianças com pernas velozes perseguem apenas um alvo: a bola. No Campo do Cidinho, dentro da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, a arena de execuções da quadrilha cedeu lugar à escolinha de futebol da Unidade de Polícia Pacificadora. Em outras UPPs, projetos como esse têm a mesma missão: garantir um futuro melhor aos jovens das favelas.
Desenvolvidos em cinco das seis UPPs já inauguradas, os projetos não se incluem no programa de pacificação da Secretaria de Segurança, que nessa semana iniciou a ocupação da Providência, no Centro, para criar a sétima UPP. São iniciativas dos PMs das unidades que sentiram necessidade de incluir ações sociais no seu trabalho.
Na Cidade de Deus, o sargento Orlando Muniz troca sua arma pelo apito duas vezes por semana. Ele dá aulas de futebol a 150 crianças e adolescentes. Nenhum foi atraído por traficantes que ainda agem ali, mas o PM diz que a situação seria outra sem o projeto, que faz um ano em abril.
“Tenho certeza de que pelo menos 80% desses jovens estariam servindo ao tráfico. Hoje, 75% dos alunos têm ou teve parente envolvido com marginais”, contabiliza o sargento.
Luís Felipe Rosário, 12 anos, perdeu o pai traficante em tiroteio na Cidade de Deus. “A polícia matou”, conta. Mas os olhos brilham ao revelar sonho comum na turma de atletas mirins: ser jogador de futebol. Na UPP do Pavão-Pavãozinho/Cantagalo, em Copacabana, o futebol também integrou PM e moradores. “Abrimos a escolinha dia 2 e já temos 70 alunos”, comemora o subcomandante da UPP, tenente Alexandre Souza.
O esporte também é a principal aposta da primeira UPP, a do Dona Marta, para manter os jovens no caminho do bem. Com 80 alunos de cinco a 17 anos, a escola de caratê do morro de Botafogo retoma as aulas no dia 17, quando o professor, o soldado e faixa preta Bruno Faria, terá encerrado um curso. “Estamos mudando a imagem da PM”, afirma o policial.
Em breve, a UPP Ladeira dos Tabajaras-Morro dos Cabritos, em Copacabana, aproveitará a tradição musical do lugar — a escola de samba Unidos de Vila Rica fica lá — para lançar seu primeiro projeto. “Temos policiais músicos que se ofereceram”, anuncia a comandante, capitã Rosana Alves.
Música muda imagem da polícia no Leme
Com seu talento musical, o soldado Fausto Oliveira quebrou a desconfiança inicial de moradores carentes diante de um projeto oferecido por quem sempre exibiu outra imagem em favelas: a do coturno derrubando portas. Há quatro meses, ele dá aulas de violão a 13 alunos no Chapéu-Mangueira, Leme. Na terça, o projeto chega à Babilônia, atendida pela mesma UPP. “Quem resiste será contaminado pelos alunos”.
A UPP do Jardim Batan, em Realengo, tem o maior número de ações. Além de natação, capoeira e taekwondo, aulas de reforço ajudam 60 jovens a melhorar o desempenho escolar. “Mães já disseram que os filhos só passaram de ano porque entraram no projeto”, afirma Cynthia Pessôa, uma das quatro moradoras voluntárias que dão aulas na sede da UPP.
segunda-feira, 29 de março de 2010
UPPs usam esporte e arte para afastar o crime de vez
Marcadores:
Estudantil,
Festinha,
Grêmio Estudantil,
Juventude Politica,
Marcello GG,
Sergio Cabral,
UBES,
UNE,
UPPs
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário