BRASÍLIA e RIO - O governo comemorou nesta quarta-feira a informação de que, pela primeira vez na História, o risco soberano do Brasil é menor do que o dos Estados Unidos. Entretanto, economistas ouvidos pelo GLOBO discordam da euforia manifestada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda que os "Credit Default Swaps" (CDS) do Brasil de um ano tenham realmente fechado terça-feira em 38,5 pontos-base, abaixo dos 49,42 pontos do CDS americano. Pela mesma lógica, dizem, os CDS da Colômbia (37,44 pontos), da Indonésia (38,60 pontos) e do México (34,39 pontos) de um ano também são mais seguros do que o americano. Quanto mais alto o CDS, pior a situação do país.
De acordo com a agência Reuters, por volta das 13h10m desta quarta-feira a situação já tinha se invertido, o papel brasileiro embutia prêmio de 40,701 pontos, enquanto o dos EUA apontava 40,481 pontos.
De acordo com Mantega, o risco soberano é uma espécie de seguro que os países pagam como forma de os credores se precaverem contra eventual default, isto é, calote. Mantega citou números um pouco diferentes (pode haver pequenos ajustes), dizendo que o risco soberano do Brasil atingiu 41,2 pontos, enquanto para os Estados Unidos a taxa era de 49,7.
- Estamos muito felizes com essa informação porque mostra a solidez da economia brasileira - comemorou Mantega, acrescentando que presidente Dilma Rousseff ficou muito satisfeita.
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Segundo Homero Guizzo, economista da consultoria LCA, dois fatores explicam o movimento: a baixa liquidez dos CDS de um ano, o que provoca forte oscilação de preços em períodos curtos; e uma grande distorção nos mercados, provocada pela guerra política no Congresso dos EUA sobre o aumento do limite da dívida pública americana.
- Não é possível dizer que o risco do Brasil é menor que o dos EUA. E Mantega sabe disso. Não existe chance de um default técnico nos EUA, nenhuma chance - afirmou Guizzo.
Para Gustavo Franco, ex-diretor do Banco Central (BC), "o perigo está em o ministro levar a sério sua própria brincadeira".
Os CDS de cinco anos, que são mais líquidos e mais importantes, apontavam na terça-feira um risco maior do Brasil que dos EUA. O papel americano era negociado a 51,60 pontos, enquanto o brasileiro operava a 110 pontos.
O CDS funciona como um seguro para aplicações em renda fixa. Se o Tesouro do país que emitiu o título deixar de pagar os investidores, o CDS cobre esse calote. Como no seguro de um carro, quanto maior for esse risco de um sinistro, mais caro fica o seguro.
O soberano é semelhante ao risco-país, comumente avaliado por agências. No entanto, a diferença está no fato de que, no primeiro caso, levam-se em consideração apenas as dívidas do setor governamental, enquanto o risco-país embute dívidas privadas e públicas. O mercado normalmente olha no Brasil o Embi+ (Emerging Markets Bond Index), calculado pelo JPMorgan Chase, uma medida de risco dos países emergentes. O Embi+ Brasil reflete o comportamento dos títulos da dívida externa brasileira.

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