sábado, 29 de maio de 2010

Alguém se preocupa com os dependentes químicos?

Governador Sérgio Cabral
esvazia clinicas gratuitas de tratamento


De uns anos para cá, a discussão sobre a liberação ou não das drogas tem ganhado força. O deputado federal Fernando Gabeira é o maior arauto da liberação das drogas e tem dedicado os seus mandatos a essa bandeira. O ministro Carlos Minc e o governador Sérgio Cabral são outros dois grandes defensores da liberação.

Defender a liberação das drogas é uma questão de foro íntimo, mas é um direito individual de cada um. Eu sou contra e todos sabem disso. Mas o que me surpreende e quero chamar a atenção de vocês, é de que, em toda essa discussão não vejo uma única pessoa levantar a questão dos dependentes químicos, que hoje é um problema de saúde pública, que afeta toda a sociedade.

Querem liberar tudo. E os dependentes químicos? Vão continuar fingindo que esse problema não existe? Ou não consideram isso um problema?

É inacreditável, e me desculpem, uma parte da sociedade não está vendo isso, que existem milhares de dependentes químicos que precisam – e muito querem – ser tratados, desejam se recuperar, mas não conseguem sozinhos e a sociedade lhes nega uma nova oportunidade.

Na verdade, o debate da liberação, vira as costas para esse universo que só faz aumentar a cada dia. Hoje, o flagelo das drogas é um inimigo que infelizmente mora ao nosso lado. Quem é que não conhece um parente, um amigo, um colega ou um conhecido que convive com o problema do vício dentro de casa?

Quando assumi o governo do Estado construí a primeira clínica pública gratuita para o tratamento de dependentes das drogas e do álcool, a Clínica Michelle de Morais, em Santa Cruz. Depois implantei outra em Valença, e Rosinha fez uma terceira em Barra Mansa. Além disso, implantamos no Conselho Estadual Anti-Drogas um atendimento ambulatorial que dava assistência terapêutica a milhares de dependentes.

Infelizmente, o governador Sérgio Cabral abandonou as clínicas de tratamento de dependentes químicos, que estão para fechar as portas e não têm capacidade hoje, de dar assistência aos pacientes. O Conselho Estadual Anti-Drogas foi esvaziado e hoje se limita a debater, não faz mais atendimento ambulatorial. É lastimável.


Por isso me permitam o desabafo. Mas Gabeira, Cabral, Minc e muitos outros, deveriam primeiro pensar no tratamento dos dependentes, em vez de se dedicarem apenas à liberação das drogas. Esquecem, aliás, pelo menos Gabeira e FHC, que admitem publicamente que já usaram maconha, que se eles conseguiram ser pessoas de sucesso na vida e não se tornaram viciados, milhares de jovens e adultos não tiveram a mesma sorte e viraram dependentes químicos. A cada dia esse universo aumenta mais. Está na hora de olhar por essas pessoas.

O que é preciso é implantar mais clínicas e serviços de atendimento aos dependentes químicos. Hoje, no nosso estado não há um serviço público que atenda dependentes de crack.

Abandonar as clínicas e o atendimento ambulatorial do Conselho Estadual Anti-Drogas é ignorar o drama que atinge cada vez mais famílias. É isso que Cabral não quer ver.


Fonte:Blog do Gatotinho

Um comentário:

  1. Cabral vem investindo fortemente na saúde. Mas anos de descaso não se resolvem assim. Tenho certeza que com Cabral novamente no governo poderá fazer muito mais.

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